Leite PODCAST

Pecuária de Leite: FALTA MÃO DE OBRA E SOBRA IMPOSTO. Debate franco com produtores.

O setor lácteo brasileiro vive um momento decisivo. Entre a oscilação nos preços pagos pela captação, a concorrência com o leite em pó importado e os desafios diários dentro da fazenda, o produtor rural precisa se equilibrar para manter a atividade rentável. Para debater esse cenário e celebrar uma trajetória de mais de seis décadas de apoio ao homem do campo, o Podcast Agro A+ com Francys de Oliveira recebeu Valdir Rodrigues e Lionel Oliveira, presidente e vice-presidente da Coopervap (Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu).

Apesar de uma recuperação gradual nos preços pagos ao produtor a partir de fevereiro, o cenário ainda exige muita cautela e “pé no chão”. A recente instabilidade no mercado spot reflete uma desaceleração da captação interna — reflexo direto do desestímulo sofrido pelos pecuaristas nos últimos anos.
Segundo a diretoria da Coopervap, o alto custo dos insumos, juros altíssimos, e as incertezas do mercado fizeram com que muitos pecuaristas evitassem investimentos no rebanho e na nutrição intensiva, resultando em uma queda de captação de 15% a 20% na região do Noroeste de Minas, mesmo sem a perda direta de cooperados.

Um dos pontos mais preocupantes destacados na prosa foi a escassez de mão de obra qualificada e a falta de sucessão familiar nas propriedades. Produtores estão encerrando as atividades por não encontrarem vaqueiros e folguistas para cumprir o manejo diário e a legislação trabalhista, somado ao êxodo dos jovens para os centros urbanos. A automação e a robótica surgem como tendências globais, mas ainda possuem custos muito elevados para a realidade da maioria dos produtores de leite.

Um grande gargalo enfrentado pelo setor são os altos juros de financiamento e renegociação de dívidas, que superam os 20% ao ano, travando a capacidade de investimento do produtor rural.
Além disso, a entrada massiva de leite em pó importado — muitas vezes reidratado e próximo ao vencimento — pressiona o mercado nacional. Governos estaduais (como Minas Gerais e Goiás) e a esfera federal vêm articulando medidas sanitárias e fiscais para proibir a reidratação desse leite importado, visando proteger a cadeia produtiva brasileira e garantir a segurança alimentar do consumidor.

Apesar das adversidades, o momento é de comemoração: a Coopervap celebra 63 anos de fundação. O que começou com um grupo de visionários focado na produção de manteiga hoje se consolidou como uma gigante do cooperativismo regional, registrando faturamento de mais de R$ 814 milhões em 2025 e projetando atingir R$ 900 milhões em breve.

Entre os destaques recentes estão a premiação, durante a 49ª Expolac – Minas Láctea 2026 -, realizada entre os dias 13 e 16 de julho, em Juiz de Fora (MG), ao Queijo Parmesão Paracatu que alcançou o 3º lugar no Concurso Nacional de Laticínios, um dos mais tradicionais e respeitados do país; e a forte presença da marca parceira Cemil no mercado nacional de leite condensado e derivados.
Além disso, a recuperação e industrialização de subprodutos, como o soro de leite — antes descartado e hoje base para bebidas lácteas, achocolatados e suplementos —, tem sido peça-chave para agregar valor à produção e garantir a sustentabilidade financeira da cooperativa e do produtor.

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