As mudanças climáticas já representam um dos principais desafios para a produção animal em todo o mundo. No setor leiteiro, os impactos vão além da redução da produção de leite, afetando diretamente sua composição, qualidade microbiológica e valor econômico. Em regiões tropicais, onde os animais frequentemente enfrentam condições ambientais próximas e acima dos seus limites de conforto térmico, esses efeitos tendem a ser ainda mais intensos.
Com o objetivo de compreender melhor essa realidade, o Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA) da Escola Superior “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (USP) em uma parceria com o Instituto de Zootecnia, avaliou dados durante três anos consecutivos para entender as variações sazonais nas características do leite, assim como também a relação entre clima, qualidade do leite e remuneração do produtor.
Os dados foram coletados em 25 propriedades leiteiras comerciais localizadas na região metropolitana de Piracicaba, estado de São Paulo. Os animais eram da raça Holandesa criados em sistema de produção à pasto. Foram utilizados modelos estatísticos e técnicas de inteligência artificial para projetar os possíveis efeitos do aquecimento global sobre a qualidade do leite até o ano de 2100. Os resultados revelam um cenário que merece atenção de produtores, laticínios, cooperativas e formuladores de políticas públicas para os próximos anos.
Rafael Mendonça, direto da redação, nos conta as conclusões tiradas das variações de temperatura.
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